Por: Guga Ketzer, sócio e diretor de criação da Loducca
Tam tam tam. Tam tam. Tam tam tam. Tam Tam. Tam tam tam.
Entra uma bateria pesada, um baixo sólido e a guitarra passa a gritar ferozmente.
A partir daí, qualquer um que não esteja declaradamente morto, começa a entrar em um transe preparatório para uma explosão de energia descomunal.
Carregue suas armas. Traga seus amigos. Um mulato, um albino, um mosquito. Um misto de ódio, raiva e euforia.
O mundo não será mais o mesmo depois de 5 minutos e 1 segundo.
Pelo menos para uma geração inteira, que passou a cheirar espírito juvenil.
Um cheiro rebelde, ousado, agressivo, transgressor, criativo e extremamente inovador.
Kurt Cobain foi responsável por colocar esse cheiro no ar. Mexer com uma geração que teve pouco ou quase nada contra o que lutar. A não ser a angústia de se sentir um perdedor em um lar criado por baby boomers. A tortura de ser um bebê mergulhando numa piscina atrás de um dólar. E ter que manter os olhos abertos. Sim, com as luzes apagadas é bem menos perigoso. Principalmente se você é o pior no que melhor faz. Ele se sentia estúpido por lutar contra isso. Mas ao mesmo tempo contagiante. Um dia uma amiga dele foi em seu quarto e escreveu na parede “Kurt smells like teen spirit”. Isso porque a namorada dele usava um desodorante famoso na época: o teen spirit. Só depois do sucesso, ele ficou sabendo que seu hino tinha o nome de um produto clássico de uma sociedade de consumo que o consumiu. Ironias da vida.
Um gênio que em apenas três anos mudou todos os anos seguintes. Foi sincero e autêntico. Do início ao fim.
Tinha medo de enfrentar o que ele mesmo criou. Era fraco e sabia disso. Não queria que a vida acabasse com ele. E preferiu acabar com ela. Em sua carta de suicídio, deixou isso claro citando Neil Young. “It’s better to burn out than to fade away”.
A bala que ele colocou na cabeça é a mesma que muitas vezes a gente coloca no espírito rebelde dentro de nós.
A diversão, a leveza, a bobeira e a ingenuidade não são opostos à responsabilidade. São complementares. Não é preciso matar um para dar vida ao outro.
Quando se perde a fome é sinal de que estamos gordos demais.
Como disse uma bíblia hippie do vale do silício: “Stay hungry, stay foolish”.
O suor da vida adulta tem um cheiro forte. Por isso, da próxima vez que esse cheiro tomar conta de você, coloque o desodorante. E no volume máximo.
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Só quem é magro acha que gordo demais perde a fome. Aí é que a fome amenta mesmo...rsrsrs. Manda um x-tudo pra mim. E capricha na maionese.
– Rogério Lima
Guga é f..da. Kurt tbm
– Filipe Trabbold
mto bom o texto ;)
– Moa
Bom texto, embora curtinho. Valeu, Guga!
– Raul Krebs
Texto maravilhoso, uma fantástica interpretação da realidade ilustrada por Kurt. De uma forma simples, perfeita. E essa frase foi a melhor: "Quando se perde a fome é sinal de que estamos gordos demais." Adorei.
– Vivian
Texto ótimo! Principalmente pro momento de vida que estou passando ...rs...A gente tem que ter a ingenuidade de um adulto e a esperteza de uma criança para sobreviver nessa selva de pedra...
– Thaís
texto f..dido !
– Marlon
muuuuito bom !
– Vinicius