Quais são os festivais INTERNACIONAIS de publicidade, fora o CANNES LIONS, que você respeita, acompanha e valoriza?
Zico Farina, diretor de criação da Africa
The One Show. Fui alfabetizado em propaganda estudando as suas páginas. O primeiro que vi, ainda no final da década de 80, causou um espanto. De onde vinham tantas ideias maravilhosas? Foi como ler um romance do Faulkner, ver um filme do Coppola, ouvir uma música do Nick Drake. Era uma espécie de revelação. O pequeno Zico segurando aquilo como uma bíblia, um livro sagrado. Ainda hoje é assim. Leio com a mesma devoção, respeito, entusiasmo. O que mais me agrada é a perenidade das peças, o não ao modismo e o sim aos grandes raciocínios. Aquele lápis pequeninho já escreveu a história de grandes criativos, grandes marcas, grandes agências, grandes anunciantes, grandes diretores. É motivo de orgulho para quem já ganhou. Eu guardo todos eles num prateleira especial, como troféus.
Alexandre Okada, vice-presidente de criação da McCann Erickson
One Show e Clio são super interessantes, tanto pela qualidade do trabalho como por antecederem Cannes. Neles é possível ter uma prévia dos favoritos do ano. Eu admiro muito o D&AD pelo seu rigor e seu critério. Dos ibero-americanos, acho que El Ojo, Fiap e El Sol são os mais expressivos. Considero importante você ter um panorama do que se passa na região e, nestes festivais, é possível visualizar ideias adequadas à nossa realidade de orçamentos e prazos. Considero que a Ásia e Oceania estão com um nível de qualidade excelente, com muitos trabalhos extremamente criativos. Austrália, China, Índia e Tailândia sempre trazem ideias inovadoras e com uma identidade muito própria. Mas, neste caso, eu acho mais “prático” conhecer estes trabalhos diretamente em Cannes, já que esta é justamente a sua grande força: trata-se do único festival realmente global.
Denis Kakazu, head of art da Ogilvy
Gosto do One Show, D&AD e Art Directors Club NY. O Clio e o Communication Arts vêm na sequência. Os três primeiros têm os melhores jurados do mundo. Nem sempre, o resultado é bom, mas isso é comum em qualquer premiação, não? O D&AD é o mais rigoroso, e consequentemente, o prêmio mais desejado pelos criativos. Todo o mercado reconhece quem ganhou um Lápis. Quem ganha um One Show quer ganhar o Art Directors, o Clio e, lógico, o D&AD. Quem ganha o D&AD provavelmente fica feliz “só” com isso e dorme tranquilo.
Márcio Ribas, diretor de criação da Neogama/BBH
O D&AD é disparado o melhor festival, depois de Cannes. O júri é bem rigoroso, com poucas peças premiadas por categoria. Filmes e campanhas que para nós são indiscutíveis, lá são muito discutidas e, às vezes, acabam não levando nada. O que importa é a propaganda de qualidade. E é um festival que, faz tempo, premia diversas disciplinas que invadiram Cannes recentemente.
João Linneu, head of art da F/Nazca S&S
The One Show e D&AD, pois em geral, o nível dos jurados é superior. Estes festivais não precisam do jurado da Romênia ali pra garantir a média das inscrições. O livro do One Show vem me frustrando ultimamente, e não sei o porquê exatamente. Mas ele ainda continua como um dos 2 maiores festivais para mim. D&AD sim é “O” prêmio. Além de ter o mesmo rigor para escolher dos jurados aos prêmios, a instituição do D&AD é fantástica. Foi na contra-mão de outros festivais que viraram modelos de business e tornou-se uma ONG, realizando várias atividades além de apenas editar o seu livro. E olha que é um puta livro! Nada como abrir o D&AD e ver muito além do anúncio/filme de TV. Lado a lado estão prêmios que a Apple levou com seu último iMac, vinhetas do Channel 4, editoriais fantásticos e até um punhado de bons anúncios.
Ricardo Figueira, diretor de criação executivo da área interativa da age. e vp de criação do Isobar Latin America
A verdade é que durante muito tempo todos os festivais tinham características muito parecidas entre si, principalmente quando as suas divisões de categorias eram interpretadas por formatos de mídia. É claro que cada festival tem a sua personalidade, seu charme, seja pelo seu rigor, abrangência ou até mesmo pela sua localização. Mas o fato é que, com a quebra de muitos paradigmas da comunicação, os festivais, que eram acostumados a segmentar e premiar por categoria de mídia, terão que se reinventar uma hora ou outra para não limitar e nem nivelar por baixo as diversas experiências de marca, cada vez menos restritas a formatos e cada vez mais abrangentes. A maior prova disso é que hoje todos os festivais, inclusive Cannes, estão, ano a ano, mudando suas categorias e, no fim, ainda lançam uma sub-categoria definida por “ações que não se enquadram em nenhuma das categorias apresentadas”. Na minha opinião, isso torna nítido que o sistema de categorias, que é a base para a premiação, precisa ser melhor compreendido e não simplesmente replicado para a versão digital, analógica, viral etc. Acompanhando essa visão, existe um prêmio que eu gosto muito e que valoriza a criatividade da experiência de comunicação como um todo, que é o Festival de Mídia e Inovação (Festival of Media Awards). Geralmente, os cases premiados lá são iniciativas muito inovadoras de contato com o consumidor. De qualquer forma, respondendo mais diretamente à pergunta, além do Festival de Cannes, respeito muito o London Festival, Clio Awards, The One Show, Art Directors NY e D&AD. São festivais de alto rigor, seriedade e total transparência. Pude comprovar isso pessoalmente. Enfim, é importante dizer que, apesar de estarmos passando por tanta transformação na nossa indústria, e que inclusive nós mesmo ainda não compreendemos essas transformações em sua totalidade, todo reconhecimento sério, rigoroso e de alto nível profissional é essencial para que possamos ter parâmetros e evoluir sempre.
Fernando Nobre, diretor de criação da BorghiErh/Lowe
A infinidade de festivais publicitários acabou banalizando um pouco o fato de alguém ser premiado. Mas alguns deles ainda conseguem se manter relevantes. Seja pelo critério mais apurado, seja pelo glamour ou pela capacidade de envolver também os anunciantes (Cannes é quem melhor consegue combinar isso, além de ter se tornado uma feira de negócios e tendências). Respeito especialmente o One Show e o D&AD. Creio que o Clio vem resgatando sua importância, depois daquele episódio, anos atrás que deu uma abalada na sua credibilidade. Todo festival tem sua utilidade. Depende essencialmente de como olhamos para ele. Quero dizer com isso apenas que eles não devem ser vistos como um fim em si mesmo.
Sérgio Gordilho, sócio e vice-presidente de criação da Africa
Para mim, o D&AD é um grande festival. Não só porque acontece na terra da melhor propaganda do mundo (Inglaterra), como pelos critérios utilizados para a avaliação dos trabalhos.
Aaron Sutton, diretor de criação
É importante, em primeiro lugar, valorizar os nossos prêmios. Os festivais do Clube de Criação de São Paulo, Profissionais do Ano e Prêmio Abril são a vitrine do que se produz de melhor na propaganda brasileira. E, sem desmerecer os outros festivais internacionais, considero o London Festival o mais interessante.
Marcus Kawamura, diretor de arte, e Ana Carolina Reis, redatora, Mohallem/Artplan
O Festival de Cannes continua sendo uma vitrine importante para o criativo, globalmente falando. As peças que geralmente entram em Cannes ganham notoriedade mundial, todo mundo acaba vendo, e isso valoriza o trabalho da criação e da agência. Além disso, Cannes tem o seu valor pela tradição e charme e pela possibilidade de participar do Festival, conhecer os trabalhos do mundo todo, assistir a palestras e trocar experiências com os mais diversos profissionais. Quanto a outros festivais, destacamos o One Show e o D&AD, premiações mais sérias e criteriosas, com menos influência de opiniões parciais de júri ou favorecimento de conhecidos, seja em âmbito individual, por agência ou por país. A peça que ganha prêmio em Cannes ganha popularidade, o que não significa que ela seja percebida unanimemente como uma peça boa. Mas as peças que ganham prêmios no One Show e no D&AD, por exemplo, se tornam peças inquestionavelmente respeitadas criativamente. Um é para popularizar. Os outros dois, para chancelar criativamente.
Cassio Moron, head of art da Loducca
Clio; D&AD; One Show; Art Directors Club NY; Communication Arts. Acho estes festivais relevantes, pois, pelo conjunto das peças premiadas, percebemos a seriedade dos critérios de julgamento.
Sergio Mugnaini, diretor de criação online da AlmapBBDO
Atualmente, existe uma quantidade muito grande de premiações. Porém, só algumas premiam realmente o trabalho criativo. O One Show e o One Show Interactive são bons exemplos. Mais do que premiar um trabalho criativo, o D&AD premia também uma execução primorosa. A grande maioria dos trabalhos pode ser considerada inovadora. Para mim, são disparados os melhores festivais. Quanto a Cannes, não há dúvida de que é um grande festival. Mas creio que ele precisa rever a maneira com que o júri encara e julga os trabalhos, durante o festival. Todos os outros festivais, como o One Show e D&AD, entre outros, costumam ter uma rodada de "pre-judging" antes do julgamento, geralmente feito localmente. Isso diminuiria o volume e aumentaria a qualidade dos trabalhos premiados. Para quem já esteve lá, sabe como é insano o volume de trabalhos julgados em uma semana. Porém, atualmente, a palavra "resultados" está cada vez mais presente nas premiações digitais e muito frequentemente nos cases de campanhas integradas. As agências deveriam olhar com bons olhos e inscrever trabalhos no Effie Awards. O prêmio é reconhecido não só pela proposta criativa e muito mais pelos resultados da campanha. Aqui, na América Latina, creio que o festival que tenha mais prestígio é o El Ojo de Iberoamerica. O festival acontece em meados de outubro e vale muito a pena ser visitado. A geração mais nova parece que precisa cada vez mais de pequenas vitórias, diárias. Daí, o site www.thefwa.com é o campeão. Todo o dia o site elege um vitorioso "Site of the Day". Parece que esse reconhecimento é tudo que a “next generation” quer.
Guilherme Brotto, redator da DPZ
One Show - Acho o critério dos caras f..dido. Infelizmente eles dão muito crédito para super-produções, por isso, o Brasil fica para trás. Mas também reconhecem ideias simples. Clio Awards - Acho intermediário. A concorrência não é tão grande, dificilmente vejo um Clio que não tenha levado Leão em Cannes ou Lápis no One Show. LIA - London - Gosto bastante porque sempre tem alguma campanha que pegou shortlist em Cannes, mas merecia Leão. Dubai Lynx - Eu não gosto. Acho que tem muita peça chupada. Ui. ADC - Art Directors Annual e D&AD - Gosto deles, mas são mais fracos do ponto de vista das ideias. São concepções visuais, é mais arte e beleza do que raciocínio. Sou redator, se fosse diretor de arte valorizaria muito mais. Pessoalmente, prefiro ideia do que design. Ideia com design é o mundo perfeito, design com design é perfeito, mas para os diretores de arte. Resumindo: sou um publicitário de uma nova geração, não assisto TV, não leio jornal impresso. Me informo pela internet, e isso é muito bom porque muitos jovens também vivem assim. Mídia impressa está perdendo espaço para internet, e sei muito bem disso porque eu faço parte do público que migrou para a web. Acho que os festivais estão cada vez menos importantes. Hoje, é melhor fazer uma puta campanha que viraliza do que ganhar um Leão. Leão quase todo mundo tem. Um viral do c..ralho, como Whopper Freakout, não. Bom, outra forma de ver coisas legais, antes de esperar o júri dizer que é bom, são sites como: Coloribus, Creativity Online e Viral Video Chart. Ou só ver e ouvir sua voz interior e o seu critério. Ficar no TOP da Viral Video Chart é um puta prêmio. Exemplos de vídeos que conseguem isso: Susan Boyle, Michael Jackson e Evian (o filme dos bebês). Esse filme não precisa ganhar Leão pra ser do c..ralho. Ele é e ponto final.
Angela Bassichetti, diretora de criação da OgilvyInteractive
O London International Awards (LIA) é um dos festivais europeus mais importantes. Valoriza a ideia, independentemente de onde ela se materialize: advertising, design ou mídia digital. Um nova categoria foi criada esse ano: “NEW”, que quer reconhecer e premiar qualquer ideia criativa que tenha execuções inovadoras, estabelecendo benchmarks na comunicação. Definição de novos parâmetros é a base da discussão sobre as mudanças que estão ocorrendo na comunicação, hoje. E acho que o LIA é um dos apontadores de para onde estamos indo. Todos querem um lápis do D&AD. É sinônimo de excelência criativa por ser um dos festivais mais criteriosos.
Wilson Mateos, diretor de criação da Neogama/BBH
D&AD: Fui jurado e vi como são rígidos, sérios e realmente interessados na boa propaganda e não na boa política ou no bom caça-níquel. Clio: Ressurgiu das cinzas. Andou desacreditado e desvalorizado. Mas quando voltou a imprimir critérios mais rigorosos, voltou a brilhar. One Show: Clássico. Ultimamente tem entrado umas coisas estranhas, o que antes não acontecia, mas continua em alta. Festival de Londres (LIA): Bacana por só dar um estatueta por categoria. Menos é mais.
Renata Florio, diretora de criação da DM9DDB
Fiap e El Ojo, por premiarem especificamente a propaganda da nossa região, comprovando a relevância do nosso trabalho criativo.
João Binda, diretor da área interativa da age.
Festival of Media Awards, que esse ano ocorreu em Valência e em 2007, em Veneza. Por valorizar a inovação na utilização das ideias e dos meios (mídia). É muito incrível. Um dos maiores festivais de mídia e inovação do mundo. D&AD, pelo rigoroso critério de qualidade. CLIO, pela sua tradição. Também queria citar dois brasileiros: Prêmio de Mídia, do Estadão, principal prêmio de mídia do Brasil, e Prêmio Abril, por sua importância no cenário nacional.
Guilherme Jahara, diretor de criação da DM9DDB
Os festivais que mais respeito, fora Cannes, são os "déjà vu": One Show, D&AD, Art Directors Club New York e Clio. Mas, para nós brasileiros, especificamente, não podemos esquecer de premiações (não efetivamente festivais) como Profissionais do Ano, da Rede Globo, Prêmio Abril e Clube de Criação de São Paulo (CCSP).
Fred Saldanha, diretor de criação da Ogilvy&Mather
Festival tem tudo a ver com critério. Por isso, respeito e acompanho Clio, One Show, London e Fiap. E, no Brasil, o CCSP. São os óbvios. Mas nenhum desses chega perto do D&AD. Ganhar um Pencil no D&AD equivale a uns 3 Leões em Cannes.
André Laurentino, vice-presidene de criação da Lew’Lara\TBWA
One Show (Estados Unidos) e D&AD (Reino Unido). Os dois têm critérios duríssimos e tradição na qualidade do material que premiam. São festivais até mais enxutos do que Cannes, que é mais abrangente geográfica e qualitativamente. One Show e D&AD são para poucos. O respeito vem daí.
Paulo André Bione, dir. de criação da 141 SoHo Square / coordenador Miami Ad School/ESPM
D&AD - O mais tradicional, no sentido de consistência da palavra. É inglês, é rigoroso, e por isso mesmo entrar nele significa muito. Diferente de Cannes, soube evoluir sem modificar tanto seu DNA. E eu adoro o trabalho que o D&AD desenvolve para os estudantes e todo o programa que ele possui para educação. Tenho muito orgulho de a Miami Ad School/ESPM ser a única escola brasileira a figurar entre as escolas premiadas. Disparado, o melhor para mim. One Show - Dos americanos é o de que eu mais gosto em termos de critério. El Ojo - desponta como o grande representante latino em termos de festival de publicidade. Communication Arts - Não é um festival, mas é uma publicação de muito prestígio, rigorosa, e que é uma referência para todo o mercado. Andy Awards - Não é tão conhecido quanto seus pares americanos, mas é um prêmio muito interessante. Nem sempre premia o que todos os outros festivais premiam. Por isso, tenho tanta curiosidade com relação a ele. E ainda tem um outro dado bem atraente: dá prêmios em dinheiro.
Celso Alfieri, diretor de criação da Talent
Cannes é o festival que tem os melhores trabalhos premiados do mundo e os melhores trabalhos não premiados do mundo. Basta assistir ao shortlist para se ter uma ideia de quanta coisa espetacular deixou de ganhar Leão porque outra, mais espetacular ainda, concorria na mesma categoria. Por isso, acho importante participar de outros festivais. Não por serem mais fáceis. Na verdade, não o são. Estarão lá 99% dos mesmos favoritos aos prêmios, porém os jurados serão diferentes e, consequentemente, o critério mudará e o tempo para análise das peças também. Essas variantes podem produzir resultados interessantes. Infelizmente, a crise financeira fez as agências elegerem poucas peças para os festivais e poucos festivais para suas peças. Espero que, a partir de 2010, voltemos todos a participar do Art Directors, London Festival, Clio etc.
Links para todos os festivais internacionais citados:
D&AD: http://www.dandad.org
Clio Awards: http://www.clioawards.com
One Show: http://www.oneclub.org/os/os/showcase/?year=2009
Art Directors Club / NY: http://www.adcawards.org
London International Awards: http://www.liaawards.com
El Sol: http://www.elsolfestival.com
Festival of Media Awards: http://www.festivalofmediaawards.com
Effie Awards: www.effie.org
Fiap: http://www.fiaponline.net
El Ojo de Iberoamerica: http://www.elojodeiberoamerica.com
Communication Arts: http://www.commarts.com
Favourite Website Awards: www.thefwa.com
Andy Awards: http://andyawards.com
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Ambas as premiações, apesar de terem um mesmo segmento e variações de público, são extremamente importantes para o público.
– William Gushiken
Excelente matéria,como muitos, sempre tive curiosidade de conhecer a opinião de criativos tão renomados em relação aos festivais mais importantes do mundo. Parabéns!
– Daniel Guedes